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TODO APOIO A OCUPAÇÃO INDÍGENA CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DO RIO TAPAJÓS EM SANTARÉM NO PARÁ

Desde o dia 22 de janeiro os povos indígenas do Baixo Tapajós estão ocupando a frente da sede do porto graneleiro da multinacional estadunidense Cargill, na orla de Santarém. A ocupação é parte das mobilizações de diversas organizações indígenas e não indígenas pela revogação do decreto presidencial 12.600/2025, parte do Programa Nacional de Desestatização que concede a hidrovia Tapajós para uso privado.

Em dezembro de 2025 o Governo Federal lançou um edital prevendo 74 milhões de reais para as obras de dragagem de aproximadamente 250km do Rio Tapajós, no trecho entre Itaituba e Santarém. O objetivo é aumentar a navegabilidade do rio para grandes embarcações que, em sua maioria, pertencem a empresas privadas de logística que prestam serviço para mineradoras e agronegócio (cadeia carne-grãos), entre elas a Cargill.

Os povos indígenas do Baixo Tapajós, através do Conselho Indígena Tapajós Arapiuns (CITA), denunciam a falta de consulta livre, prévia e informada sobre tais obras, como previsto pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário. São previstos também impactos na alteração de cursos d’água, corrosão das margens do rio, contaminação da biota fluvial e, notadamente, ao modo de vida dos povos e comunidades tradicionais, guardiões da biodiversidade ao longo do Tapajós.

Durante a COP30 em Belém, no último mês de novembro, o Governo Federal na figura do ministro Guilherme Boulos (PSOL), da Secretaria Geral da Presidência da República, prometeu às lideranças do Baixo Tapajós que nenhuma obra seria realizada sem a consulta. Mais uma manobra do Estado para tentar frear a ação direta da luta indígena.

As ações diretas e a luta por autonomia e autodeterminação territorial dos povos indígenas são inspirações para nós, anarquistas. Entendemos que o Estado é uma instituição colonial por natureza, e que os povos originários e seus territórios ancestrais guardam modos de organização social e política que vai contra a centralização do poder estatal e corporativo, construindo o poder popular de baixo e de diversos pontos.

COORDENAÇÃO ANARQUISTA BRASILEIRA (CAB)