17 DE ABRIL: 30 ANOS DE LUTO, TODA UMA VIDA DE LUTA: O MASSACRE DE ELDORADO DOS CARAJÁS
Há trinta anos marchou o povo organizado da fazenda Macaxeira, em Curionópolis, até a capital do estado do Pará, Belém, para pressionar o governo, que já tinha se comprometido a negociar com o INCRA, reivindicando a desapropriação da terra improdutiva. Cercado por uma centena de policiais militares e pistoleiros à mando do governo e latifúndio se fez a violência dos covardes sob o povo que demandava justiça social. No dia 17 de abril tombaram 21 companheiros e tantos outros feridos, episódio que ficou conhecido como massacre de Eldorado dos Carajás, que hoje rememoramos para nunca ser esquecida essa dolorosa história de luta.
A violência do Estado com as suas velhas oligarquias e os agentes do capital segue sem freio na Amazônia Legal, principalmente no estado do Pará que concentra o maior número de conflitos por terra no Brasil, de 2014-2023 foram registradas 1.999 ocorrências, seguido logo atrás pelo Maranhão. Em relação aos assassinatos no campo, registrou-se o dobro de mortes (26) entre sem-terra, assentados, indígenas, posseiros e quilombolas no ano de 2025. Enquanto isso, a demarcação de terra por parte do governo Lula III segue quase parando, com uma má vontade em homologar as terras já autorizadas pelo INCRA. O governo parece aguardar as grandes farsas, como foi a COP-30, para tirar fotos, querendo pintar-se de verde um capitalismo que reatualiza a exploração e destruição de nossa terra e vida, tentando esconder na representatividade e conciliação um projeto desenvolvimentista junto as oligarquias locais que busca atender as demandas das elites globais que só fazem guerra. Ao seu lado, o Congresso segue ameaçando a volta do marco temporal e a lei 6.050 que libera o garimpo e outras atividades em terras indígenas.
Aos povos, os poderosos não enganam e as recentes lutas no Pará demonstram isso. Mais do que palavras os povos indígenas do Baixo Tapajós e agora as mulheres do médio Xingu com ação direta, ou seja, a ação feita e dirigida pelos próprios afetados, sem delegações alheias, decidiram ocupar a Cargill e agora a Belo Sun na defesa de seu território. Apesar das manobras políticas do governo de conciliação e o jogo sujo das empresas, assediando indígenas não alinhados, este método de luta tem nos mostrado que pode ser vitorioso, superando muitas armadilhas institucionais.
Há mais de trinta anos este povo que nesta terra pisa, vive, cultua e trabalha, demanda justiça por Eldorado, Colniza, Pau d’Aco, rio Abacaxis e tantos outros episódios de violência covarde, mas também por Paulino Guajajara, Nega Pataxó, Quintino Lira, Mãe Bernadete e tantas outras lideranças que se tornaram mártires-encantados que hoje guiam a luta no campo. Não será a Vale, Cargill, Belo Sun, Ternium, Terrabras que irá melhorar a vida do povo, muito menos serão as famílias Sarney, Barbalho, Campos, Lira, Calheiros etc. que defenderão a vida do povo, não esperamos nada deles, muito menos justiça. Essa justiça não nos será dada, nem cairá do céu, mas arrancada e feita por nós mesmos, e assim tem sido feita no dia a dia, no arame cortado, no cuidado da terra pelas mãos de nossa gente: a autodeterminação dos povos, na defesa de terra e território, está sim a verdadeira luta por soberania. Portanto, o conflito, a guerra não estão lá no Oriente Médio, há trinta anos ela foi declarada pelo lado de lá e seguimos resistindo, defendendo as nossas vidas e autonomia. Hoje o Assentamento 17 de abril completa três décadas trabalhando a terra e exigindo Reforma Agrária Popular!
Lutar, criar, Reforma Agrária Popular!
Coordenação Anarquista Brasileira

