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1º DE MAIO: TRABALHAR MENOS, TRABALHAR TODOS, DISTRIBUIR TUDO

O Primeiro de Maio é o Dia Internacional das Trabalhadoras e Trabalhadores e não o “dia do trabalho”. Essa data tem origem na Greve Geral realizada em 1886 na cidade de Chicago, nos EUA, que lutava pela redução da jornada de trabalho. A repressão sofrida pelos trabalhadores, com a prisão e morte de oito mártires anarquistas, foi sentida pela classe trabalhadora em todo o mundo e deu origem à data tão importante para a luta sindical.

A redução da jornada de trabalho é uma luta tão antiga quanto as mentiras dos patrões!

Trabalhadora e trabalhador, não tenha dúvida: se o patrão pudesse, ele deixaria a gente preso no local de trabalho e pagaria o salário mais miserável possível. Se hoje não estamos submetidos a jornadas de 14 horas, se garantimos que a maioria das crianças não está precisando trabalhar ou se temos aposentadoria, nunca foi por boa vontade dos capitalistas ou do governo. Foi porque colocamos medo nos de cima através da nossa luta, das greves, piquetes e mobilizações!

Mesmo assim, antes de dar o braço a torcer, eles sempre inventaram mentiras para criar medo sobre os nossos direitos. Desde a época do fim da escravidão, os jornais diziam que a mudança é impossível porque a economia iria quebrar. Assim também falaram quando foi criado o 13º salário ou a jornada de 44 horas semanais. Atualmente, eles repetem o mesmo discurso quando exigimos a redução imediata da jornada de trabalho para 30 horas semanais sem redução de salários.

Fim da escala 6×1 e a luta não para por aí!

A campanha pelo fim da escala 6×1, por seu impacto e enorme apoio popular, é a principal luta dos trabalhadores hoje, mas não pode ser a única. Depois da Reforma Trabalhista de 2017, tivemos um enorme aumento das contratações intermitentes, principalmente no comércio e no serviço terceirizado. Outra forma de burlar os direitos trabalhistas é o avanço da pejotização, em que o trabalhador se vê obrigado a operar como microempreendedor para conseguir emprego. É necessário denunciar o papel do STF, que tem dado decisões favoráveis aos patrões em todos os casos de flexibilização dos direitos trabalhistas!

Além disso, temos hoje quase 40% da classe trabalhadora na informalidade, por conta própria, sobrevivendo de bico, ou competindo na barbárie do mercado com pequenos comércios e serviços com ajuda da família, ou subordinada a plataformas como entregadores e motoristas de aplicativos. A taxa de desemprego brasileira está maquiada por esse grupo amplo e variado de trabalhadores informais que não tem hora pra descansar e direitos pra trabalhar.

Na luta por algum tempo livre para o descanso ou lazer, estão em pior situação as mulheres, sobrecarregadas por acumular ainda, na grande maioria dos casos, o trabalho doméstico, o cuidado com as crianças e os idosos. Ao mesmo tempo, quem está na maior parte das vagas precárias de trabalho, seja na escala 6×1, na informalidade ou plataformizado, é o povo negro, as mulheres e a população LGBT+. É por isso que a luta sindical e da classe trabalhadora é parte indissociável da luta negra e feminista!

Lutar e conquistar com greves, piquetes, marchas e ocupações!

Assim como já acontecia lá em 1886, nós estamos aqui nas ruas em 2026 lutando em defesa das trabalhadoras e trabalhadores, querendo garantir mais tempo livre para descansar e aproveitar a vida.

Reivindicamos:

  • Fim imediato da escala 6×1 e instituição do regime comum de 30 horas semanais para todas as categorias
  • Salário mínimo de acordo com o DIEESE e com aumento real anual.
  • Autonomia política das entidades de base dos trabalhadores, contra a criminalização dos sindicatos e pela manutenção do direito a greve
  • Revogação da reforma trabalhista, da reforma da previdência, da reforma administrativa e da reforma do BPC
  • Redução da idade mínima para aposentadoria, reconhecendo o tempo de trabalho de cuidado e doméstico como tempo trabalhado
  • Ampliação dos concursos públicos em todas as áreas, defesa da estabilidade dos servidores públicos, ampliação do emprego formal com carteira assinada e direitos trabalhistas

Por isso, neste Primeiro de Maio, nos apresentamos não apenas como uma organização que se coloca nas ruas, mas uma organização para o cotidiano, uma alternativa para cada trabalhador e trabalhadora se colocar ombro a ombro na luta por vida digna. Relembramos os Mártires de Chicago para levantar nossas bandeiras e afirmar que exigimos trabalhar menos para viver mais, exigimos melhores salários para não vivermos na miséria, exigimos fim do trabalho intermitente e da flexibilização de nossos direitos e arrancaremos cada um desses direitos com os métodos históricos da classe trabalhadora: greves, piquetes, marchas e ocupações!

PELO FIM DA ESCALA 6X1 SEM REDUÇÃO DE SALÁRIOS!

VIVA A MEMÓRIA DOS MÁRTIRES DE CHICAGO!

VIVA CADA TRABALHADOR E CADA TRABALHADORA QUE SE LEVANTA!

Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)