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CONTRA O GENOCÍDIO INDÍGENA: DEMARCAÇÃO JÁ

Os dias que se seguiram a derrota eleitoral de Flavio Bolsonaro tem sido de ódio aberto do ruralismo contra populações indigenas especialmente no centro-oeste brasileiro. Assassinatos, violencias, ameaças de envenenamentos de fontes de água e aumento exponencial do discurso brutal racista e genocida anti-indigena proferido pela extrema-direita.

Por outro lado, os governos do PT especializaram-se em sugar lideranças para dentro da máquina pública, burocratizando os movimentos sociais e paralizando-os. Nessa última gestão, essa tática avançou para o movimento indígena através de instituições como Funai e Ministério dos Povos indigenas, que viu passar o tempo com sua agenda paralisada por escolhas do próprio governo que compõe escolher o modelo do agro e da mineração.

Além disso, parte dos setores que se mobilizaram para a reeleição do Lula já esvaziam as ruas, virando as costas para os povos indígenas e crendo na ilusão paternalista de que o atual governo os protegerá. Por isso, estamos aqui para repetir:

NOSSOS DIREITOS NÃO ESTÃO GARANTIDOS!

É necessário frisar que esses assassinatos partem de um setor que conhecemos muito bem e não são novidade. Por isso que dizemos: o agronegócio é a praga do campo brasileiro, permanentemente avançando sobre os territórios originários, quilombolas e camponeses corroendo a base do bem viver.

Por isso, para enfrentar o latifúndio e defender o direito dos povos indígenas, não há outro caminho se não a demarcação de terras. É através dela que teremos a possibilidade dos povos originários viverem com dignidade e de maneira autônoma, organizando-se conforme seus costumes e tradições.

A defesa dos territórios é a defesa da vida dentro de uma diversidade de tradições culturais de povos, que seguem sendo atacados por invasões de garimpeiros, grileiros, madeireiros e sofrendo pelo lastro das queimadas e avanço de áreas de pastagens. Tal defesa não raramente se faz com corpos indígenas que são historicamente assassinados, perseguidos e crimiminalizados por defenderem uma terra livre e sem cercas.

Além disso, a demarcação é a ferramenta mais eficaz para combater a crise climática; sua capacidade de barreira ecológica e bio-diversa natural e sociocultural que salvaguarda a floresta. Nesses tempos de grandes desastres ambientais, onde os efeitos do el niño já se mostram visíveis em todo o mundo, sabemos que a única solução de defesa ambiental é através da proteção dos povos das matas e dos povos das águas.

O QUE A LUTA NOS ENSINA?

A experiência de luta da ocupação da Cargill foi a maior demonstração recente de força da organização dos povos originários, de como sua força pode orientar a opinião pública e barrar a destruição dos territórios.

Indígenas do Baixo Tapajós ocuparam a sede do porto graneleiro da multinacional estadunidense Cargill, na orla de Santarém, pela revogação do decreto presidencial 12.600/2025, parte do Programa Nacional de Desestatização que concede a hidrovia Tapajós para uso privado. A ocupação ocorreu após o Governo Lula lançar um edital prevendo 74 milhões de reais para as obras de dragagem de aproximadamente 250km do Rio Tapajós, com o objetivo de aumentar a navegabilidade do rio para grandes embarcações que, em sua maioria, pertencem a empresas privadas de logística que prestam serviço para mineradoras e agronegócio, entre elas a Cargill. Nesse cenário as mudanças do clima atravessa o debate, a seca no Rio Tapajós resultou em uma redução drástica do nível das águas, com registros em Santarém de queda de 3,63 metros desde julho. Esta estiagem forçou as barcaças a operarem com apenas 60% da capacidade de carga para evitar encalhes, comprometendo a navegabilidade e ameaçando o escoamento de até 5,5 milhões de toneladas de grãos essenciais para o Arco Norte, dai a pressão dessas empresas para instalação de seu projeto de privatização do rio.

O Governo Federal foi descredibilizado durante a farsa da COP30 em Belém, na figura do ministro Guilherme Boulos (PSOL), da Secretaria Geral da Presidência da República, prometeu às lideranças do Baixo Tapajós que nenhuma obra seria realizada sem a consulta. Mais uma manobra do Estado para tentar frear a ação direta da luta indígena.

Após muita luta e resistência dos povos indígenas, o governo recuou e revogou o decreto, mostrando que a organização e as ações diretas são a única resposta para garantir a autonomia e autodeterminação territorial dos povos indígenas.

Fortalecer retomadas territoriais e a luta direta é tarefa de toda a esquerda combativa, apoiando em todos os locais iniciativas comunitárias como as Teias os Povos, experiências que articulam as lutas do campo, das cidades e das florestas. Não temos o que esperar desse governo e de um Congresso que é cada vez mais reacionário! Somos nós que devemos arrancar nossos direitos de suas garras.

SÓ A LUTA E A AUTO-ORGANIZAÇÃO POPULAR MUDAM A VIDA!