A ELEIÇÃO ACABOU, MAS O FASCISMO AINDA NÃO!
NÃO SE DESMOBILIZE! SÓ A LUTA POPULAR VAI DERRUBAR O SISTEMA CAPITALISTA!
Em uma virada no segundo turno, Lula foi reeleito com pouco mais de 51% dos votos para a presidência do Brasil do próximo período. Fica bastante evidente que a derrota de Flávio Bolsonaro é fruto da intensa mobilização feita nas ruas contra a extrema-direita nessas últimas semanas, onde os diversos setores de esquerda foram capazes de dialogar com o povo sobre as mazelas do autoritarismo e reacionarismo de Bolsonaro.
No entanto, o campo “democrático-popular” apontou para nada além de uma vitória eleitoral na presidência república e de uma defesa acrítica das instituições do Estado Burguês, como se tudo funcionasse muito bem, e a vitória eleitoral de Lula resolvesse o elefante na sala que é a extrema-direita (e como essa respeitasse as regras da democracia burguesa). Por isso viemos dizer: NOSSOS DIREITOS NÃO ESTÃO GARANTIDOS. Eles SEGUEM AMEAÇADOS, e, portanto, NOSSA LUTA CONTINUA.
Estamos presenciando as forças de extrema-direita seguirem em seu processo de radicalização: agressões, atropelamentos de manifestantes, ameaças e assassinatos, como é de praxe por parte desta corja. Mais uma tentativa golpista, que já começou durante a votação orquestrada por empresas de transporte, prefeituras e milícias sob direção bolsonarista, e agora vemos o próprio Flávio e seus lacaios questionar o resultado das urnas.
Apesar da derrota de Flávio Bolsonaro, a hegemonia da extrema-direita no Legislativo e nos governos estaduais a partir do resultado do 1° turno, além da recente crise institucional do STF, nos projetam uma preocupante crescente do autoritarismo em nosso pais e a ampliação de políticas de fome e de morte que atormentam nosso povo no cotidiano. E tudo isso ainda mais agravado pelos crescentes riscos de intervenção do imperialismo Norte-Americano, como observado por todo o continente.
A campanha da extrema-direita foi marcada pelo discurso de ódio às minorias políticas, pela promessa de cortes de direitos, forte canalização do sentimento de antipetismo no povo, fake news, e favorecimento pelo algoritmo das big techs. A conjuntura atual é de um profundo acirramento da luta de classes.
Nos últimos anos, vimos também a esquerda hegemônica se deter a defender um programa político melhorista que, por meio da política de conciliação de classe (que cada vez concede mais e governa menos) e do regime de ajuste fiscal, vem sucessivamente rifando nossos direitos, beneficiando muito mais as classes dominantes e condenando as de baixo as migalhas. Assim, a esquerda hegemônica entrega de bandeja para a direita o elemento anti-sistema, e esse sentimento, dentre outros, foi um dos fatores que ajudou a criar as condições para gestar esse ovo da serpente que é o neofascismo, canalizado na figura da família Bolsonaro. Nós, anarquistas da CAB, por outro lado, defendemos que a revolta contra o sistema deve estar abaixo e à esquerda: lutamos contra o sistema capitalista!
Apesar da situação, nós não devemos e não nos daremos por vencidos! Não arredaremos o pé das ruas! Devemos apostar na mobilização popular, pois como diriam os nossos antepassados de luta, nós não tememos as ruínas, pois carregamos um mundo novo em nossos corações. Mundo este que está crescendo nesse exato momento.
Do Sul ao Norte, de Leste a Oeste, desde os pampas gaúchos até a Amazônia brasileira, precisamos mais do que nunca fortalecer as bases, construir movimentos sociais e exercer o poder popular, enraizando o anti-fascismo no cotidiano dos nossos povos. E isso não se faz sozinho.
Diante dos desafios que enfrentamos e enfrentaremos, é a nossa tarefa histórica, agora mais do que nunca, nos organizarmos em nossos locais de trabalho, estudo, organizar as nossas comunidades e territórios de luta. Se os nossos inimigos nos impõem o medo e a incerteza, responderemos eles ainda mais alto com luta e organização, pois enquanto houver opressão, haverá reação.
Nós, da Coordenação Anarquista Brasileira, seguimos firmes e confiantes de como nos mostram os exemplos de luta dos Curdos, dos Zapatistas e de tantos outros, de que o poder popular quando exercido é capaz de superar as conjunturas mais difíceis.
A eleição pode ter acabado, mas o fascismo ainda não. Organize-se!
SÓ A LUTA MUDA A VIDA
ESMAGAR O FASCISMO COM LUTA E ORGANIZAÇÃO

