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ONDE A POLÍTICA COMEÇA? NAS ORGANIZAÇÕES DE BASE!

Segunda parte do compilado de nossa série de conteúdos que publicamos nas redes sociais durante a conjuntura eleitoral de 2026.

A política tem sido tratada como assunto puramente eleitoral — até a organização popular acaba orientada pelas urnas. Mas existe outra forma: construir a força desde a base.

Organizações de base são espaços onde quem vive uma realidade se junta para discutir, decidir e agir sobre seus próprios interesses. É dali que a força social de verdade começa.

Elas podem assumir diferentes formas conforme o terreno de luta: organização de trabalhadores, sindicatos, movimentos de moradia, organizações comunitárias, estudantis, camponesas, territoriais e outras formas construídas por quem toma as rédeas para enfrentar e determinar o curso dos seus problemas e dificuldades, anseios….

Essas organizações não são automaticamente autônomas ou combativas. Podem se burocratizar ou se afastar de sua base política. Lutamos pela construção permanente, nesses espaços, da participação, democracia direta, autonomia e capacidade de ação.

A nossa organização política não substitui a organização popular. Atuamos junto aos movimentos para contribuir com autonomia e capacidade de combate — entramos como fermento, não como donos.

Organizar-se é mais do que só reivindicar. É preparar as organizações populares para assumir, elas mesmas, o controle sobre a produção, a comunicação e as decisões cotidianas hoje concentradas no topo.

A eleição termina. A organização de base contínua. Só a luta muda a vida. Onde você vive, trabalha ou estuda: existe um espaço para se organizar coletivamente?

Para nós, anarquistas da CAB, o trabalho de base é a tarefa mais urgente da militância. Não acreditamos em heróis, salvadores da pátria ou atalhos institucionais. O que muda a estrutura do mundo é o acúmulo cotidiano de força social nas mãos do povo oprimido.

Construir organização de base nas nossas frentes é blindar a classe trabalhadora contra a pacificação reformista. É criar instâncias de decisão coletiva onde a ação direta e a autogestão deixam de ser teoria e viram prática viva. É no calor da construção diária, lado a lado com os nossos, que forjamos as ferramentas para sepultar o capitalismo e o Estado — muito além de fazer a gestão da falsa democracia nas urnas.

Não somos base de nenhum governo. Queremos independência de classe!

Para nós, anarquistas da CAB, a independência de classe e a autonomia da mobilização popular são princípios inegociáveis.

Essa independência é a linha de frente que garante que a nossa inserção social e o nosso trabalho de base respondam apenas às dores do povo oprimido, tendo esse princípio como motor determinante das lutas.

Autonomia não significa isolamento sectário. Atua-mos junto ao campo combativo e à esquerda por vitórias táticas e concretas, sem converter essa base de luta e apoio à projetos eleitorais, partidários ou governamentais.

Contra a domesticação dos movimentos sociais!

Quando a organização de base aceita ser linha de apoio de um governo ou projeto de poder, ela é domesticada. Querendo ou não, sua força é capturada pelo Estado e convertida em pacificação social.

Atuamos como força propulsora nas lutas, mas o poder construído deve ser coletivo. A capacidade do povo de decidir e agir de forma direta não se negocia e não se submete a nenhuma burocracia. É nisso que apostamos para a construção de um poder popular.

Direto ao ponto e sem conciliação: só a luta muda a vida. Na sua experiência hoje, onde você percebe a urgência de blindar a autonomia popular contra o assédio governista?

Para nós, anarquistas da CAB, a independência de classe bota os pés no chão da nossa realidade de combate.

Entendemos que o trabalho de base e as frentes de luta servem para acumular força social do povo oprimido, e jamais para inflar bases eleitorais ou sustentar governos de conciliação.

O reformismo e as ilusões nas urnas tentam convencer a nossa classe a terceirizar o enfrentamento. O resultado é o esvaziamento das ruas e a blindagem do Estado burguês. Nós fazemos o caminho inverso: construímos a autonomia no cotidiano, sob gestão direta das nossas frentes e inserção social de luta.

É no calor desse embate que geramos o germe da autogestão e da democracia de base para destruir o capitalismo e o Estado — muito além de fazer gestão de falsa democracia nas urnas.

Para que a gente constrói organização? Por poder popular!

Poder popular não é trocar quem manda – é mudar a forma de organizar, lutar, decidir e distribuir. Não é conquistar o Estado para colocar os nossos lá dentro. A história já provou: isso só cria uma nova classe dominante agindo em nome do povo.

Poder popular é a distribuição concreta da força — sobre a produção, sobre os meios de comunicação e sobre as decisões que afetam a nossa vida. É o poder que não se delega, mas que se exerce direto, pelas próprias organizações populares.

Isso não é abstrato. Toda vez que trabalhadores organizados assumem o controle de uma fábrica, de um bairro ou de uma ocupação — isso já é o poder popular se construindo hoje, independente de qualquer eleição.

Se só a luta muda a vida, que tipo de força coletiva você já viu nascer de um grupo organizado, sem depender de político nenhum?

Poder popular não é promessa de campanha e nem um cargo ocupado por gente boa. É o que se constrói quando as organizações populares assumem, elas mesmas, o controle sobre o que afeta sua vida — sem intermediário e sem a tutela do Estado.

É a resposta mais concreta que temos pra pergunta desta série: organizar-se construindo o poder popular todos os dias, pela base.