Memória e Luta: 30 Anos da FAG/CAB Semeando Socialismo Libertário
Na data do dia 18 de Novembro, a FAG completou seus 30 anos de organização politica e hoje, reunidos aqui, queremos saudar com alegria estas três décadas de esforços militantes, de mobilizações sociais e trabalho de base. De lutas e enfretamentos com os projetos dominantes, das inúmeras peleias que estivemos envolvidos e das incontáveis campanhas e ações de solidariedade de classe que estivemos construindo desde nossa organização e, ou em conjunto com outros setores dos e das de baixo. Estes são apenas alguns dos elementos do atuar politico ideológico que modestamente continuam nos marcando ao longo destas três décadas. E, para além de saudar esta jornada de vida, luta e organização da FAG, queremos neste pequeno momento de fala, trazer a memória do que nos forjou como Organização Politica e como Anarquistas .
É importante logo de inicio dizer que, não são apenas os 30 anos da FAG que gostaríamos homenagear hoje, são os esforços anteriores de nossas referencias de épocas distantes, que foram abrindo caminho para nossa existência, desde a ala Federalista da Internacional, das lutas e das resistências em diversos territórios do mundo e da nossa peleadora America Latina, que nos moldamos enquanto sujeitos, rebeldes e convictos de que é apenas pela via da ruptura revolucionária com as formas de poder estabelecidas pelo Estado e, seus governos de turno, que podemos alcançar uma sociedade justa, livre de opressões e das desgraças do Capitalismo.
Nossa memória é instrumento de luta. E quando olhamos para trás, para a história do que nos moldou vemos a face calejada de lutadoras e lutadores do povo oprimido, de um vasto legado de quem nos antecedeu e apostou com vida pela defesa intransigente do Socialismo e Liberdade, por outra forma de organização, especificamente Anarquista, Federalista e que esteja sempre inserida nas lutas cotidianas do nosso povo.
Nós somos frutos destes fragmentos de memória, das Resistências populares na América Latina e no Brasil, das greves gerais, das insurreições populares, das lutas dos povos originários, camponeses, quilombolas, das favelas e periferias. Dos lombos que não se curvaram à dominação. Por tanto, em meio ao que se resgata de memória, se afirma como continuidade: nossa disposição para militância é ação direta de todos os níveis e a construção de Poder Popular. É o trabalho incansável do dia a dia, orientado por nossas analises de conjuntura, na semeadura de um Povo Forte, na prefiguração dos valores da sociedade que desejamos a construir. Uma sociedade que rejeita em todas suas esferas o centralismo e autoritarismos. E aqui, podemos afirmar que o poder popular é construído no cotidiano, na contramão do autoritarismo e da opressão, e através do protagonismo das e dos de baixo. Nosso querido compa Juan Carlos Mechoso em Acción directa anarquista – una historia de FAU, afirmava que um povo forte se forja “organizando seu poder, exercendo-o desde os sindicatos urbanos e rurais, desde associações e grupos comunitários, desde os núcleos populares”, e assim, “o povo protagoniza a vida política do país. E se une” (p. 31).
O caminho percorrido em 30 anos historicamente é pouco tempo, mas simboliza muito para nossa corrente, para o trabalho de reorganização que fizemos na virada para o século XXI aqui no Brasil. Muitas peleias e experiências que nos marcaram e formaram como sujeitos políticos.
Na primeira década de 1995 a 2005 lembramos das ocupações do movimento sem teto em Alegrete e do Retruco, órgão de propaganda anarquista na fronteira centro-oeste. A luta das comunidades de periferia por infraestrutura e serviços públicos que participamos e ajudamos a fazer no interior e na região metropolitana. A greve das universidades federais e a ocupação do MEC no final dos 90. A construção do movimento dos catadores e a luta braba dos carroceiros para não serem reprimidos e varridos do centro de Porto Alegre. As duas marchas de desempregados que reivindicaram melhores condições de vida e projetos de trabalho cooperativo. Teve a pauta das rádios comunitárias que enfrentou a repressão estatal e o domínio oligopolista da mídia burguesa. Nesse período a sede da FAG na Lopo Gonçalves foi um agitado centro de reuniões, de formação e cultura, produção de propaganda para as ruas com panfletos e lambe, etc. Se criou o coletivo muralha rubro negra para intervenções muralistas que deixaram sua pegada em vários lugares. Época das experiências de organização política nacional, da OSL e do FAO. A nível internacional, é durante esses anos que convocamos as Jornadas Anarquistas de Porto Alegre que convocou bastante público e reuniu militância de vários países durante o Fórum Social Mundial. Também fica marcado o começo de uma longa sequência de encontros latinos de organizações sociais e sindicatos com independência de classe, o surgimento do Elaopa.
Na segunda decada de Organização politica, nos anos 2006 pra frente tivemos algumas experiêcias de participação nas ações do 8 de março, dia internacional das mulheres, com o setor de mulheres da Via campesina, mais especificamente do MST, que carregava naquele periodo fortemente a caracteristica de ação direta contra empresas estrangeiras em solo gaúcho. Um dos marcos destas ações foi a destruição de mudas do horto da Aracruz, que virou um simbolo de resistencia das mulheres do campo contra o agronegocio. Participamos de atos no campo, em ocupações de terras com este setor, assim como nas marchas e encontros na cidade de Porto Alegre.
Ja nos anos de 2008/2009 se firmava uma conjuntura de criminalização forte para o movimento social,na época encabeçada pelo Ministério Publico do RS, que montou um inquérito que colocava o MST na ilegalidade. Estampamos ali e na cena publica a campanha Protesto não é Crime, como corresponde a solidariedade de classe para nós. Neste momento politico o mandato de Yeda Crusius (PSDB) também deixaria marcada esta decada para nós, e no dia 21 de agosto em uma operação de guerra montada para o despejo do MST em uma grande fazenda em São Gabriel, a Brigada militar assassinou a queima roupa, com um tiro de calibre 12, o companheiro Elton Brum e, imediatamente naquele mesmo dia convocamos um ato em solidariedade com outros setores aqui em Porto Alegre. Também montamos uma campanha de propaganda responsabilizando politicamente a governadora e o comandante responsavel pela operação de terror e o assassinato do Sem terra, Elton Brum. O que resultou, dois meses depois, na primeira invasão e investida policial contra nossa organização, na primeira sede da FAG, onde materiais nossos de propaganda ja começavam a ser provas de crime e militantes processados. E, motivados não somente por isso em 2011 mudamos nosso endereço para outro local, na Travessa dos Venezianos inauguramos a proposta do Ateneu Libertário a Batalha da Varzea, um modelo diferente para uma sede não oficiosa de nossa organização, que nos seus primeiros anos abriria as portas com diferentes projetos e articulação para além de nossa tradicional Biblioteca a Conquista do Pão, reuniões e atividades internas. Surge a cooperativa de consumo, trabalho da militância anarquista vinculada ao Ateneu e também com militancia que vivia e produzia em conjunto com outras familias no assentamento do MST em Nova Santa Rita. Agregamos dezenas de associados a este projeto. Tivemos uma série atividades abertas, lançamentos de livros, publicações, atividades culturais, feira do livro anarquista, atos publicos e atividades de propaganda.
2012 o Congresso fundador da CAB, nos deu gás e expectativa de avanço a nivel nacional, com organizações irmas já consolidadas em vários estados do país.
E, no inicio de 2013 abrimos o ano com o Elaopa, encontro que marcou a confluencia dos libertários para a conjuntura de lutas de massas que carimbava aquele ano. Dali surge a frente autonoma, agrupação que no inicio do Bloco de Lutas pelo Transporte Publico foi fundamental para fazer disputa por um estilo organizativo dentro desta frente e que também impregnou ações de rua com caracteristicas combativas. Impossivel negar, apesar dos esforços de nossos adversários ideológicos, a influencia anarquista dentro do Bloco. Neste periodo se abriu o leque de politicas de alianças importantes para nós, estivemos lado a lado com outras agrupações em solidariedade e construção de lutas, como a frente quilombola, utopia e luta, coletivos independentes de comunicação, articulação solidária com o movimento Indigena, entre muitos outros.
2013 para nós foi um ano impar, vivemos uma das maiores mobilizações de massas do país em que nossa geração de militantes teve a oportunidade de compor. Dezenas de atos, multidões de pessoas, o descontento com o melhorismo do PT, do seus pactos e de alianças com a direita, tomou as ruas do Brasil, inicialmente pelo transporte, mas depois transbosbou as demandas. Localmente vivemos um periodo de exposição publica, justamente pela atuação de nossa militancia nas peleias do Bloco de Lutas, o que implicou em mais investidas policiais em nosso espaço publico, o Ateneu, o governo Petista a nivel de estado e federal colocou as garras autoritárias para fora e tentou nos caracterizar covardemente como “pseudos fascistas”, a nivel nacional eramos os radicais, baderneiros, violentos…Não esquemos do rafael Braga, que se tornou simbolo do que a repressão ao protesto é capaz de fazer, principalmente se o alvo em questão for preto e pobre. O governo de turno, dirigido pelo PT, reprimiu, perseguiu e criminalizou a maior das mobilizações populares das ultimas decadas e ainda tentou atirar para o colo das lutas, o fardo de uma direita que saia das sombras e partia para uma disputa de rua com as mobilizações. A criminalização mapeou e perseguiu, militantes de diferentes organizações politicas que compunham com a gente as lutas locais, prontamente disparamos mais ações de solidariedade, pra nós anarquista, nenhum militante de esquerda, independente da corrente ideologica, deveria ser criminalizado sem ganhar a voz de todo o setor combativo daquela conjuntura. E assim foi feito, já nos primeiros assédios do aparato repressivo montamos um ato publico na sede do Ateneu, que convocou todas correntes da esquerda perseguidas politicamente naquele periodo. O ato foi um gesto que encheu a Travessa dos Venezianos de solidariedade de classe, como correspondia…E nós, em menos de dois meses naquele ano sofremos 2 invasões de nosso local. Nossos materiais ideologicos como prova de crime, na ocasião foram intimidar nossa militancia na Restinga, onde existe até hoje um local fisico de extrema importancia para nós, onde a nossa propaganda ideologica ganha tons, forma e cores para se fixarem em muros, paredes e nas nossas memórias.
A terceira década, de 2015 pra nossos dias, começou com a experiência de greves duras contra o arrocho salarial e os ataques neoliberais ao serviço público, que tiveram fôlego até 2017. Municipários de Porto Alegre, São Leopoldo, Cachoeirinha. A longa greve do CPERS na rede estadual de educação, onde atuamos em várias cidades. Nasce em Santa Maria a ocupação Vila Resistência que segue muito viva e caminhando para 10 anos. Mais uma operação repressiva antianarquista é desatada no RS e busca a FAG e outros grupos, com ampla repercussão midiática nacional. Esse período é muito tenso e antagonista, ao mesmo tempo em que viu crescer a onda reacionária, liberal e protofacista, também foi registro de lutas combativas do movimento social. As ocupações de escolas e universidades e toda a movida massiva contra o arrocho mortal do teto de gastos sobre as pautas populares no orçamento. Da histórica greve geral contra a reforma trabalhista em 2017 e depois a greve que enfrentou o ataque a aposentadoria. Onde tivemos implicados desde nossa inserção sindical, estudantil e nos territórios.
Lembramos da concentração libertária importante na mobilização de massas que pautou o #elenão, com uma agitação política antifascista e antineoliberal, que afirmava a pauta da democracia direta e de um movimento popular forte para lutar em novas condições históricas. Nunca nos alinhamos ao eleitoralismo e a fórmula ideológica derrotista do “menos pior”. Na pandemia resistimos e ativamos uma rede solidária em cada local de militância onde pisamos. Disparamos com a CAB uma campanha de vida digna pautando urgências sociais contra o custo de vida. Nesses últimos anos, somamos no desenvolvimento da Biblioteca Comunitária da Vila Castilho em Pelotas, tomamos parte nas lutas comunitárias pelo Morro Santana, a articulação com a retomada Kaingang do Morro Santana em Porto Alegre, nas articulações pela Teia dos Povos, ombro a ombro com a Vila Resistência, Ateliê Griô e com o coletivo Guandú Agroecologia de Santa Maria. Na grande enchente do RS não ficamos parados, tomamos rapidamente um lugar de solidariedade e participação no mutirão histórico que acontenceu nos bairros da periferia para socorrer as comunidades atingidas. E não deixamos de acusar o sistema capitalista e todos seus agentes econômicos e políticos que destruiram o clima e o meio ambiente e produzem o colapso.
É impossível falar da história destas três décadas sem falar da nossa irmã FAU, de toda a dimensão e referencia que esta organização tem para nós. Foi à entrega de vida e labor militante da FAU que nos proporcionou “cancha aberta” para aquilo que nos sustentou ideologicamente neste pequeno percurso de história. Esta que rompeu com a logica de ser calculo e copia de outros continentes e muito antes que nós, já se perguntavam quais eram as demandas mais sentidas pelo povo e como atuar sobre elas. Lapidaram a ideia de que a atuação libertária não poderia desperdiçar esforços apenas reagindo aos eventos e fenômenos da conjuntura, apontaram pro indispensável que é ter um programa politico, pensar o tático e estratégico conforme nossas próprias ferramentas de analise. Deixaram-nos um amplo corpo conceitual, de grande calibre teórico, com matizes de nossas especificidades, das múltiplas realidades históricas e culturais que compartilhamos todos nós Hermanos e Hermanas Sul Americanos. Presentearam-nos exemplos incontestáveis da bravura e amor a causa com que se jogaram pra construir e defender a resistência contra os golpes civis militares que sofreram os países do ConeSul. Semearam o Especifismo e o Federalismo em rincões próximos a nós, que perpassaram as fronteiras impostas. Aportando ideologicamente para uma produção teórica e pratica que não se curva a reproduções e receitas importadas de métodos e, formulas de luta que se estabeleciam em outros continentes. Portanto, deram-nos a alegria e alivio de saber por onde começar foram e continuam sendo pilares de referencia do que é uma organização especificamente anarquista e, para nós e mais do que isso, são exemplos de fraternidade, humildade, coragem e solidariedade. A FAU é o que temos de elo na longa e indomável corrente do federalismo que atravessou continentes e se fez como organização com as cores e dores próprias de seu povo.
E, falando em FAU não podemos deixar de fazer memória ao Tio Alejandro (Pablo), este que nos acompanhou por anos e nos proporcionou talvez uma das experiências mais honrosas que parte da nossa militância poderia vivenciar. Um petiço dotado de uma polemica que desacomodava, com uma disciplina invejável, um autodidata de nosso marco teórico, como tantos outros exemplos que a FAU nos presenteou. O tio foi, para aquelas e aqueles que puderam ter o prazer de sua convivência, uma escola viva das experiências em que nós anarquistas fomos protagonistas em um passado não muito distante. Desde os vitoriosos atracos a bancos, até os dias mais duros sob as torturas em que os malditos militares impuseram para aquela geração que estava colocada a resistir. Tem vários sabores tua memória Tio, mas hoje queremos só agradecer tua vida, teu exemplo, até mesmo tua firmeza crítica com as nossas inexperiências… Que bonito saber que descansa no estuário das aguas do Mar del plata, a mesma que te viu pibe e crescer. “llegar en nel campo del conocimiento es detener-se” dizia ele parafraseando Borges. Nunca mueren los que Luchan Pablo!
E aqui no Brasil, mergulhados em nossas próprias raízes, neste país de dimensões continentais, de uma farta história de lutas e resistências, desde os povos originários, da resistência negra e quilombola. Também lembramos dos imigrantes anarquistas, de grande maioria, italianos e espanhóis, que trouxeram nas malas não apenas esperanças de uma vida melhor, mas também experiências de organização, de mobilizações dos trabalhadores e de ações diretas. Fazemos memória às greves gerais que paralisaram São Paulo e muitas outras cidades, da Insurreição Anarquista de 1918 no Rio de Janeiro, das greves operárias e lutas no Rio Grande do Sul, da audácia do buque de Espertirina Martins…Pois somos também frutos da cepa indomável do Sindicalismo Revolucionário.
Estes recortes de memórias vividas são os que nos deram condições para nascer como organização politica e de conformar um quadro de militância anarquista com capacidade de elaborar no campo teórico e pratico das ideias as condições de uma inserção social com resultados pautados em curto e longo prazo. É verdade que nada disso tem efeitos mágicos, onde bastaria apenas “acreditar para acontecer” e, ou simplesmente sermos saciados pelos melhores discursos, as melhores resoluções de congresso, ou a mais rebuscada das analises de etapas e conjuntura. Tampouco a ideia de que estar metidos até os “cabelos” em frentes de inserções sociais é o suficiente… A dinâmica do dualismo nos ensina generosamente que a isso implica o cuidar da teoria desde o politico ideológico, sem descuidar do elemento fundamental que é a inserção social, justamente para que tenham os efeitos desejados dentro do marco de uma campanha estratégica. A reunião é o descanso da pratica e a organização não é um fim em si mesma.
Para avançar estrategicamente na construção de um projeto federalista a nível nacional, desde o FAO até a consolidação da CAB. Vale dizer que essa não foi e nem é uma construção linear, teve e tem seus altos e baixos, os dilemas de uma proposta com esta envergadura, com realidades diferentes em cada território de atuação, ainda mais quando atravessa conjunturas adversas ao movimento popular e as agrupações de esquerda. A verdade é que vivemos poucos e fragmentados momentos de acumulo na recente historia do país, na maior parte do tempo estivemos na mira da criminalização, sob as mazelas de pacotes e ajustes, enfrentando o reagrupamento da direita e extrema direita que deu as caras no ultimo período. Portanto, a construção da CAB demanda firmeza, paciência e acima de tudo dedicação e fraternidade, para juntos com as demais organizações irmãs, avançar “tijolo por tijolo” para a grande Federação. E, queremos reafirmar aqui neste momento que seguiremos dedicados a isso com a fraternidade e disposição. Por isso aqui saudamos a vida de todas nossas organizações irmãs que compõem a CAB. Por ultimo e não menos importante, uma saudação bem especial aos 15 anos recém feitos do CALC!
Nossa saudação e memória também se estende a outros rincões da América Latina, as organizações companheiras de outros países como Argentina e Chile, que apesar da dureza das condições que os projetos Liberais impõe seguem sendo exemplo de lutas e resistências.
Nos solidarizamos e nos comprometemos a continuar denunciando o massacre do povo Palestino. O Sionismo, assim como todas mentalidades fascistas merecem e exigem combate.
Estendemos nossa solidariedade aos países acossados pela investida imperialista na America Latina, onde tentam de forma institucional ou com ameaças militares, roubar o que resta de sua autodeterminação.
Três décadas ainda é pouco para aquilo que se propõe a durar no tempo, no tempo durando.
Viva a FAG!
Viva a CAB!
Viva a Anarquia!
Viva o socialismo e a Liberdade!




