22 ANOS DA REVOLTA DO BUZU: NAS RUAS DE SALVADOR PELA REDUÇÃO DA TARIFA!
Na cidade de Salvador, em agosto de 2003, se deu uma das mais importantes mobilizações populares no Brasil no período recente. Com protagonismo estudantil, se organizando de forma horizontal, autônoma, descentralizada e sem lideranças definidas, Salvador foi palco de luta por melhores condições de mobilidade urbana.
Com ônibus sucateados, frota mal distribuída pela cidade e passagens caras, o anúncio do aumento da tarifa de ônibus foi o estopim para que estudantes se revoltassem, estima-se que entre 50 a 80 mil tenham estado nas ruas. Por três semanas foram bloquearam avenidas em diversos pontos da cidade, como a principal exigência, a diminuição da tarifa.
A revolta é marcada pela sua organização autônoma, onde a maioria dos estudantes não estava ligada a organizações politicas institucionais ou juventudes partidárias, também se mostravam contrários a ideia de essas organizações se negociarem com o governo municipal, mostrando o caráter autogestionário do movimento. A descentralização também foi algo importante para o desenvolvimento da revolta, como os estudantes se organizavam em grêmios escolares e as manifestações eram espalhadas pela cidade, a polícia tinha dificuldade em reprimir aqueles que exigiam direitos.
Foram conquistadas vitorias, como por exemplo melhoria da meia passagem, onde o uso foi autorizado aos estudantes nos domingos, feriados e durante as férias escolares, além de ter estendido o mesmo benefício aos estudantes cursando o pré-vestibular, o supletivo e a pós-graduação stricto senso. Também foi ativado o Conselho Municipal de Transportes onde o movimento estudantil atua como membro do colegiado.
Entretanto, a principal reivindicação não foi atendida, a redução da tarifa, mas houve um congelamento por dois anos, uma vitória sobre o carlismo e uma mostra do poder de mobilização soteropolitano.
A revolta do buzu foi e ainda é uma referência nacional para manifestações sociais, ela serviu de inspiração à Campanha pelo Passe Livre de Florianópolis, na Revolta da Catraca, também serve de inspiração para a criação do Movimento Passe Livre. A revolta do buzu e a revolta da catraca, são tratadas como antecedentes às Jornadas de Junho de 2013, justamento caráter autonomista, da pauta reivindicatória e do perfil de manifestantes.

